Empresas familiares no Sudeste Asiático: estrutura e traços comuns

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Uma empresa familiar no Sudeste Asiático geralmente não é uma única companhia dirigida pela família do fundador. Com mais frequência, é um grupo de empresas ligadas por camadas de propriedade, com uma família no topo que detém votos suficientes para decidir a estratégia, as cadeiras do conselho e quem ocupa os principais cargos. Os detalhes variam muito entre Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietnã, porque a história, a política e as bolsas de valores se desenvolveram de forma diferente em cada lugar.
Este artigo é um dos desdobramentos da seção da biblioteca sobre empresas familiares na Ásia. Ele trata dos traços estruturais comuns (controle concentrado, propriedade em pirâmide, gestão familiar, participação do Estado), depois das diferenças entre países e, em seguida, dos padrões de governança e sucessão que os pesquisadores encontraram. Para o quadro regional mais amplo, comece pelo artigo central sobre o papel das empresas familiares nas economias asiáticas.
Um aviso antes das evidências. O conjunto de dados entre países mais conhecido cobre empresas de capital aberto em 1996 e não inclui o Vietnã. Os dados mais recentes sobre o Vietnã vêm de uma pequena amostra de pesquisa. Onde as evidências são frágeis, este artigo diz isso em vez de generalizar.
Fatos principais
- Em uma amostra de 1996 com quase 3.000 empresas de capital aberto em nove economias do Leste Asiático, as dez maiores famílias controlavam 57,7% do valor de mercado na Indonésia, 52,5% nas Filipinas e 46,2% na Tailândia, contra 26,6% em Singapura e 24,8% na Malásia (Claessens, Djankov e Lang, nota do Setor Privado do Banco Mundial, 1999).
- O controle familiar era a maior categoria de propriedade na Indonésia (67,3%), na Tailândia (51,9%), nas Filipinas (46,4%), em Singapura (44,8%) e na Malásia (42,6%) nessa amostra, usando um corte de 20% dos direitos de voto e ponderando as empresas pelo valor de mercado. O Estado detinha 40,1% em Singapura e 34,8% na Malásia (mesma fonte).
- Um membro da família controladora era o CEO, o presidente ou o vice-presidente do conselho em 85,0% das empresas malaias e 84,6% das indonésias da amostra, contra 42,3% nas Filipinas (mesma fonte).
- Um estudo de quase 100 das maiores famílias empresárias da Tailândia constatou que mais filhos significavam mais controle familiar e pior desempenho das empresas, especialmente depois da morte do fundador (Bertrand, Johnson, Samphantharak e Schoar, 2008, NBER).
- Em uma pesquisa de 2025 com 32 líderes de empresas familiares vietnamitas, apenas 6% tinham uma constituição familiar (26% no mundo) e 47% tinham conselhos formados somente por membros da família (PwC Vietnam, 2025).
Os traços estruturais centrais
Quatro traços aparecem repetidamente nas pesquisas sobre a região. Eles não são exclusivos do Sudeste Asiático, mas a combinação é distintiva.

Controle concentrado
Na amostra de 1996 do Banco Mundial, o controle familiar era a forma mais comum de propriedade final na Indonésia, na Tailândia, nas Filipinas, em Singapura e na Malásia, com o Estado ocupando um grande segundo lugar em Singapura e na Malásia (Claessens, Djankov e Lang, 1999). Os autores definiram controle como 20% dos direitos de voto, o que é um patamar baixo. Uma família não precisa da maioria das ações para conduzir uma empresa listada.
A mesma nota mediu quanto de cada bolsa de valores estava sob as maiores famílias. O padrão é impressionante:
| Economia | 10 maiores famílias, parcela do valor de mercado | Maior família individual |
|---|---|---|
| Indonésia | 57,7% | 16,6% |
| Filipinas | 52,5% | 17,1% |
| Tailândia | 46,2% | 9,4% |
| Singapura | 26,6% | 6,4% |
| Malásia | 24,8% | 7,4% |
Fonte: Claessens, Djankov e Lang, 1999. Os dados se referem a 1996 e apenas a empresas listadas.
As empresas listadas são uma fatia estreita de qualquer economia. As empresas familiares privadas não estão nesses números, então eles descrevem o topo visível da economia, não toda a base.
Pirâmides e estruturas de grupo
Uma pirâmide é uma cadeia de holdings. Uma família possui uma participação na Empresa A, que possui uma participação na Empresa B, que possui uma participação na Empresa C. A cada etapa, a parcela da família no fluxo de caixa diminui, mas o controle de voto pode permanecer intacto. Para saber mais sobre como funciona a propriedade em camadas em geral, veja estruturas de propriedade familiar e o artigo sobre a empresa holding familiar.
Os dados de 1996 mostram que as pirâmides eram comuns em algumas economias do Sudeste Asiático e raras em outras. Medido como parcela da amostra, 66,9% das empresas indonésias, 55,0% das singapurianas, 40,2% das filipinas e 39,3% das malaias usavam uma estrutura piramidal. A Tailândia era a exceção, com 12,7% (Claessens, Djankov e Lang, 1999). A mesma tabela mostra que, na Indonésia, a família controladora média detinha cerca de quatro empresas da amostra (4,09), a maior das nove economias, o que combina com uma estrutura em estilo de grupo.
Portanto, "grupo empresarial familiar" não significa uma única estrutura. Em alguns lugares significa uma pirâmide, em outros uma família com participações diretas em muitas empresas separadas.
Gestão familiar sobre a propriedade familiar
O controle não depende só dos votos. Na mesma amostra de 1996, um membro da família controladora era o CEO, o presidente ou o vice-presidente do conselho em 84,6% das empresas indonésias, 85,0% das malaias, 69,9% das singapurianas, 67,5% das tailandesas e 42,3% das filipinas da amostra (Claessens, Djankov e Lang, 1999).
Isso tem uma consequência para a governança. Quando a mesma família é dona, preside e administra, o contrapeso habitual de um conselho independente sobre uma equipe de gestão contratada fica mais fraco. O modelo dos três círculos mostra por quê: as mesmas pessoas estão ao mesmo tempo nos círculos da família, da propriedade e da gestão.
Vínculos com o Estado e com a política
A política atravessa a propriedade nesta região. Um estudo de 2013 de Richard Carney e Travers Child comparou 1.386 empresas de capital aberto do Leste Asiático em 2008 com 1.606 em 1996. Eles constataram que, onde os arranjos políticos permaneceram os mesmos, os padrões de propriedade existentes continuaram iguais ou se consolidaram, e onde houve grande mudança política, a propriedade mudou substancialmente. Também constataram que o Estado havia se tornado um proprietário mais importante (Carney e Child, 2013, Journal of Financial Economics). O estudo cobre o Leste Asiático como um todo, não apenas a ASEAN, então trate-o como contexto regional.
A Malásia é o caso mais claro de política moldando a propriedade. A Nova Política Econômica estabeleceu uma meta de 30% de participação acionária dos bumiputeras. O primeiro-ministro Ismail Sabri Yaakob disse em 2021 que, em 2019, os bumiputeras detinham 17,2% do capital, os não bumiputeras 25% e os estrangeiros 45,5%, de modo que a meta ainda não havia sido atingida (Free Malaysia Today, 2021). São números do governo, e a forma de medir a propriedade acionária é debatida na Malásia, então leia-os como a posição oficial, não como um fato assentado.
Singapura mostra uma mistura diferente. A professora de direito Luh Luh Lan descreve a propriedade acionária ali como altamente concentrada, com empresas de propriedade familiar e empresas ligadas ao governo formando a maioria das listadas, razão pela qual as regras de governança criadas para acionistas pulverizados precisam de adaptação (Oxford Business Law Blog, 2023).
Diferenças entre países num relance
| Economia | Controle familiar (ponderado pelo valor de mercado) | Controle estatal (ponderado pelo valor de mercado) | Pirâmides (parcela da amostra) |
|---|---|---|---|
| Indonésia | 67,3% | 15,2% | 66,9% |
| Tailândia | 51,9% | 24,1% | 12,7% |
| Filipinas | 46,4% | 3,2% | 40,2% |
| Singapura | 44,8% | 40,1% | 55,0% |
| Malásia | 42,6% | 34,8% | 39,3% |
Fonte: Claessens, Djankov e Lang, 1999. Empresas listadas em 1996, com as participações de propriedade ponderadas pelo valor de mercado, conforme a nota da tabela da fonte.
Algumas coisas se destacam. A Indonésia combina o maior controle familiar com o maior número de pirâmides. Singapura e Malásia têm participações familiares menores em grande parte porque o Estado detém muito. E a Tailândia tem alto controle familiar, mas quase nenhuma pirâmide, então o padrão tailandês sugere que as famílias ali mantinham participações de forma mais direta.
São números de 1996. Os mercados e as empresas mudaram desde então, então a tabela mostra a estrutura em um momento no tempo, e é a comparação entre países mais completa disponível, não o quadro atual.
Sucessão e padrões entre gerações
A sucessão é onde a propriedade familiar é posta à prova. A pesquisa dá alguns sinais concretos, embora o mais forte venha de um único país.

O estudo tailandês é o mais detalhado. Marianne Bertrand e coautores montaram árvores genealógicas de quase 100 das maiores famílias empresárias da Tailândia. Eles constataram que o tamanho da família estava fortemente associado ao envolvimento familiar na propriedade e no controle, que os filhos do fundador tinham um papel central na propriedade e nos conselhos, especialmente depois que o fundador saía, e que ter mais filhos estava associado a menor desempenho das empresas. Propuseram que parte do declínio dos grupos dirigidos por famílias ao longo do tempo pode vir da diluição da propriedade e do controle entre descendentes igualmente poderosos, criando uma corrida para o fundo na retirada de recursos das empresas do grupo (tunneling) (Bertrand et al., 2008). A conclusão combina com o padrão conhecido como shirtsleeves to shirtsleeves: a riqueza construída por uma geração é dividida e dissipada pela seguinte.
Observe a população estudada. O estudo cobre grandes famílias empresárias tailandesas, não empresas familiares em geral, e descreve uma associação, não uma prova de que os filhos causam maus resultados.
Para saber como a propriedade realmente passa de uma geração a outra, veja sucessão na empresa familiar.
Padrões de governança
As ferramentas de governança, como uma constituição familiar, um acordo de acionistas e um conselho independente, são o modo como as empresas familiares administram os riscos acima. As evidências sobre o quanto as empresas do Sudeste Asiático as usam são escassas, e para a maioria dos países da região não consegui verificar um número atual e representativo.

O Vietnã é a única economia com dados de pesquisa recentes, e a amostra é pequena. A Family Business Survey 2025 da PwC incluiu 32 respondentes vietnamitas em 1.325 entrevistas em 62 territórios. Entre eles, apenas 6% tinham uma constituição familiar (26% no mundo), 22% tinham um acordo de acionistas formal (48% no mundo) e 47% tinham um conselho formado somente por membros da família. Por outro lado, 59% davam ênfase ao emprego de familiares, contra 27% no mundo (PwC Vietnam, 2025). Com 32 respondentes, esses números são um sinal, não uma estatística nacional.
O que isso significa para fundadores e donos
Algumas leituras práticas decorrem das evidências, com a ressalva de que os dados mais fortes são antigos e cobrem empresas listadas.
- Saiba qual estrutura você tem. Uma pirâmide, um modelo de participação direta e um family office trazem cada um um controle e um risco diferentes. A estrutura decide quem pode ganhar de quem em uma votação.
- Separe os papéis antes de o fundador sair. As evidências tailandesas sugerem que o controle passa a ser disputado quando a autoridade do fundador desaparece e vários herdeiros têm poder igual.
- Espere que a política e o Estado importem. Na Malásia e em Singapura, as questões de propriedade estão ligadas a políticas públicas e a investidores ligados ao governo de maneiras que uma análise puramente comercial deixa escapar.
- Não presuma que o seu país se alinha à média regional. Tailândia e Indonésia, por exemplo, ficam em extremos opostos em pirâmides.
Para artigos regionais relacionados, veja conglomerados familiares na Ásia e redes de relacionamento nas empresas familiares asiáticas.

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- Fatos principais
- Os traços estruturais centrais
- Controle concentrado
- Pirâmides e estruturas de grupo
- Gestão familiar sobre a propriedade familiar
- Vínculos com o Estado e com a política
- Diferenças entre países num relance
- Sucessão e padrões entre gerações
- Padrões de governança
- O que isso significa para fundadores e donos