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O modelo de precificação de Maya funcionava lindamente para um tipo de cliente. Uma família de quatro pessoas, roteiro de duas semanas, orçamento intermediário. A matemática sobre a qual ela construiu sua agência partia do pressuposto de clientes assim. Então um responsável por compras corporativo pediu uma cotação para um retiro de 60 pessoas com orçamento fixo por pessoa, e ela tentou aplicar a lógica do lazer a isso. A cotação saiu 22% acima do orçamento. O lead nunca mais voltou.
Este é o playbook que a agência dela hoje aplica em três modelos de precificação, o que cada um faz de diferente e como a equipe aprende quando usar qual.
A Cotação Que Nem Chegou Perto
O retiro corporativo pedia hospedagem, transporte, dois dias de atividades e um jantar de encerramento. Maya dimensionou como dimensionava uma viagem de lazer: encontrar os componentes, aplicar sua margem de acréscimo habitual, adicionar uma folga de segurança, enviar a cotação. O número ficou 22% acima do orçamento declarado pelo responsável por compras.

O que ela havia deixado passar era que compras corporativas não são sensíveis a preço da mesma forma que clientes de lazer. É uma questão de envelope orçamentário. Existe um número que o responsável por compras está autorizado a aprovar, e cotações fora desse envelope não são negociadas, são rejeitadas. A precificação de lazer otimiza para margem. A precificação corporativa otimiza para caber dentro do envelope. Jogo diferente.
Modelo Um: Pacote de Lazer
A precificação em pacote de lazer é o modelo com o qual a maioria das agências independentes cresceu. Montar um roteiro de vários dias, aplicar uma margem de acréscimo consistente em cada componente de fornecedor, apresentar ao cliente um preço único all-in, esconder o detalhamento por componente.

A matemática é direta. A habilidade está na seleção de componentes, escolher fornecedores cujas tarifas publicadas deixam espaço para a margem de acréscimo, e escolher experiências cujo valor percebido justifica o número all-in. O desconto, quando acontece, sai da margem de acréscimo, não do custo do fornecedor.
Esse modelo quebra por dois motivos em uma agência de médio porte. Os clientes cada vez mais comparam componente por componente (especialmente voos, onde a transparência é alta) e perguntam por que o pacote custa mais do que as partes somadas. E o modelo pressupõe que o cliente quer que o agente faça todas as escolhas, o que é cada vez menos verdade à medida que os clientes pesquisam mais no Google.
Modelo Dois: Personalizado
A precificação personalizada é o modelo que agências sob medida usam. O cliente coconstrói o roteiro; a precificação é componente mais taxa. Os componentes são vendidos pela tarifa do fornecedor (ou perto dela). A receita da agência é uma combinação de uma taxa de planejamento fixa e uma "taxa de reserva" baseada em percentual sobre o valor total da viagem.

Esse modelo vence em transparência e com clientes que querem controle sobre as escolhas. Ele perde em componentes de commodity (o cliente consegue encontrar um voo mais barato diretamente) e em segmentos sensíveis a preço (a taxa de planejamento aparece explicitamente na cotação e é questionada).
As agências que prosperam nesse modelo costumam atender viagens de lazer de alto padrão ou experienciais, onde o cliente valoriza a curadoria mais do que conseguir a tarifa de hotel mais baixa. A agência de Maya migrou 30% do seu portfólio de lazer para a precificação personalizada no ano seguinte ao erro da cotação corporativa, principalmente para lua de mel e viagens em família de alto valor.
Modelo Três: Corporativo e Grupo
A precificação corporativa e de grupo é um jogo diferente, com um conjunto diferente de regras.

O responsável por compras tem um envelope orçamentário. O trabalho da agência é caber dentro dele preservando a margem, não maximizar o valor da cotação. Cotações fora do envelope são rejeitadas sem contraproposta.
A precificação dos componentes fica na tarifa do fornecedor ou abaixo dela. A margem vive nos reembolsos por volume, nas condições especiais de fornecedores para as redes de hotéis preferidas da corporação, e em uma taxa de gestão por passageiro negociada anualmente em vez de precificada por viagem.
A habilidade aqui não é cotar. É estruturar o contrato-mestre. Uma vez que a agência tem um contrato de um ano, cada viagem individual reservada sob esse contrato é administrativa. A precificação acontece uma vez por ano, não por viagem.
Tarifas de Grupo: A Jogada do Multiplicador
As tarifas de grupo ficam entre o corporativo e o lazer. Um grupo é qualquer reserva de um único roteiro para 8 ou mais viajantes, uma comitiva de casamento, uma pequena equipe corporativa, uma viagem de várias famílias.

A matemática tem duas partes móveis. O volume do grupo desbloqueia descontos de fornecedores (a tarifa de grupo em hotéis pode ficar de 15% a 30% abaixo da tarifa de balcão). E o custo operacional por viajante da agência cai, uma ligação, um roteiro, um conjunto de documentos cobre o grupo inteiro.
Os dois efeitos favorecem o cliente. A agência capta parte do desconto do fornecedor como margem e repassa o restante como a vantagem de preço que torna a reserva em grupo compensadora para o esforço do cliente. A margem combinada em um grupo costuma ser maior do que em uma única viagem de lazer, mesmo que o preço por viajante seja menor. O volume absorve o custo fixo.
A Regra de Transição Que a Equipe de Maya Usa Hoje
A equipe não pergunta "qual modelo de precificação?" em toda cotação. A conversa já vem com uma triagem prévia:

Se a consulta é para 1 a 7 viajantes e o cliente quer que a agência faça a maior parte das escolhas, pacote de lazer. Se a consulta é para 1 a 7 viajantes e o cliente está coconstruindo o roteiro, personalizado. Se são 8 ou mais viajantes sob um único tomador de decisão, grupo. Se o comprador é uma função de compras ou há um envelope orçamentário declarado, corporativo.
Essa não é uma taxonomia perfeita. Casos limítrofes acontecem toda semana. Mas ela coloca o agente na conversa de precificação certa nos primeiros trinta segundos, em vez de precificar um retiro corporativo como pacote de lazer vinte dias depois de iniciada a proposta.
O Que Diz a Folha de Referência
A folha de referência na parede tem quatro linhas por modelo. O que ele otimiza, para quem é, como é o modelo de margem e um sinal de alerta de que você escolheu o modelo errado e deve redirecionar.

Os sinais de alerta são o que capturam os erros. "O cliente continua pedindo o detalhamento por componente", modelo errado, mudar para personalizado. "O cliente menciona um orçamento por pessoa", mudar para corporativo. "O grupo de reserva é maior do que o esperado", mudar para tarifas de grupo. A equipe aprendeu a ficar atenta a esses sinais durante a qualificação, não na fase de proposta.
A Matemática de Margem por Trás de Tudo
Modelos diferentes produzem perfis de margem diferentes, e uma agência de médio porte saudável opera um portfólio nos quatro. O mix de Maya, dezoito meses depois do erro corporativo: 45% pacote de lazer, 25% personalizado, 20% corporativo, 10% grupo. A margem combinada média por reserva na verdade subiu 4 pontos percentuais em relação à era de só pacote de lazer, porque as reservas personalizadas e de grupo geravam trabalho de margem mais alta, mesmo com um preço de capa menor.

As agências que resistem a isso, que tentam precificar toda reserva como pacote de lazer porque é o que conhecem, deixam dinheiro na mesa em reservas que poderiam ter ganhado, e perdem reservas que poderiam ter precificado corretamente.
Leituras Complementares
- Como Adicionar uma Divisão de Viagens Corporativas a uma Agência de Lazer. A pergunta estratégica por trás da reconstrução de precificação.
- Transferências entre Departamentos: Vendas, Execução Operacional, Atendimento. A transferência que fica mais difícil à medida que os modelos de precificação se multiplicam.
- Construindo uma Função de Sales Ops em uma Agência de Viagens de Médio Porte. A função que mantém a matemática de margem no lugar.

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- A Cotação Que Nem Chegou Perto
- Modelo Um: Pacote de Lazer
- Modelo Dois: Personalizado
- Modelo Três: Corporativo e Grupo
- Tarifas de Grupo: A Jogada do Multiplicador
- A Regra de Transição Que a Equipe de Maya Usa Hoje
- O Que Diz a Folha de Referência
- A Matemática de Margem por Trás de Tudo
- Leituras Complementares
